quarta-feira, 11 de agosto de 2010
pobres: os que valorizam os dons!
Em nenhuma hipótese, se confunda desapego com desprezo. O livro do Gênesis, como vimos, nos mostra o quanto Deus se alegra por ter dado vida a todas as obras da criação e o quanto ele enfatiza a bondade e o valor das obras surgidas de suas mãos. O apóstolo também ensina: «Pois tudo o que Deus criou é bom e nada é desprezível»[1]. «Foi pela fé que compreendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus. Por isso, o mundo visível não tem a sua origem, em coisas manifestadas»[2].
E neste mistério da ação de Deus nos lançamos pela fé nos braços d'Aquele que na sua invisibilidade se deu a conhecer e, mergulhados na nossa finitude, reconhecemos cheios de gratidão a grande obra que o Senhor fez, dando-nos a vida.
Mesmo às apalpadelas, seguramos e mantemos acessas a lâmpada da fé e esperamos vigilantes o seu retorno a exemplo das virgens prudentes[3]. E essa vigilância se consolida e se arma dos meios de uma intensa fé que se defende de toda concepção racionalista ou materialista de um mundo que surge e se desenvolve sem Deus, negando-lhe a existência ou vivendo como se Ele nem existisse, considerando-O um ser distante, um alguém ausente, uma entidade a ser simplesmente ignorada e desprezada.
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[1] 1Tm 4, 4.
[2] Hb 11, 3.
[3] Mt 25, 1-13// Lc 12, 35-38. O tema da vigilância é muito enfatizado por Mt 24, 42-44; Lc 12, 35-40.
A PÓS-MODERNIDADE E UMA CULTURA PLURAL
Com o objetivo de uma melhor compreensão da realidade atual, tentarei fazer uma adequada contextualização da cultura pós-moderna, abordando seus desafios e suas novas características, suas possibilidades e limites. Esse foi um capítulo que abordei em uma monografia que escrevi. Parece-me interessante que saibamos o que acontece, ou melhor, o que motiva, está por trás do que acontece. Um mundo plural, a colocação em questão de todo um conjunto de valores e certezas que até então deles ninguém duvidava, abre uma panorâmica bastante nova a qual necessariamente deve ser investigada. Compreender para situar-se é um dever imposto pela própria conjuntura, tendo em vista nela agir de modo apropriado e eficaz. O ensino religioso deverá preparar os estudantes para uma inserção em um mundo concreto e por caber-lhes assumir uma atitude consciente, coerente e conseqüente ante a realidade, o protagonismo deles e delas pode constituir um valioso elemento de transformação e de construção de um mundo onde os valores façam a necessária diferença.
1. A formação da panorâmica atual
No passado, o regime da cristandade engendrou uma sociedade sacralizada a qual, comportava na relação Igreja-Mundo, uma situação de hegemonia monolítica não só pelo que diz respeito aos fiéis que da Igreja faziam parte como também pelo estado que a protegia e apoiava. Verificava-se uma verdadeira troca de serviços: a religião sacralizava o poder civil dando-lhe sustentação e o estado lhe respaldava anulando ou neutralizando assim a incidência social das outras instituições religiosas minoritárias. O pluralismo religioso abre um capítulo novo na história e a consciência do católico sofre seus efeitos. O Estado torna-se independente da necessidade de uma legitimação religiosa e os acontecimentos ligados ao advento da modernidade no primeiro mundo provocam seus influxos sobre o Brasil. No “supermercado” dos bens religiosos, seitas e novas Igrejas surgem, algumas oferecendo serviços religiosos focando um público alvo. Tal coincide por sua vez com a “volta do sagrado”. Algumas manifestações religiosas caminham lado a lado com manifestações de cunho paracientíficas, distadas em embalagens religiosas. Formas de transcendentalismo como a teosofia, meditação transcendental, técnicas adivinhatórias, horóscopo, magia, alguns fundamentalismos religiosos, cultos afros são exemplos desta complexidade variada e heterogênea. O fenômeno da fragmentação religiosa se manifesta, sobretudo em base de relações de clientela descompromissada onde é freqüente a passagem de uma Igreja para outra (MIRANDA, 1991– ANDRADE, 1993). T. B. Bottomore, professor da universidade de Sussex, na Inglaterra, afirmou: “A separação entre moralidade e religião é uma característica da mudanças culturais no último século” (BOTTOMORE, 1981, p. 230). O mesmo autor lembra que a religião se transformou cada vez mais em uma questão individual e privada. A moralidade tornou-se mais social onde a virtude individual não é tão importante quanto a justiça social. Afirma também que,
Na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, durante o último século, surgiram numerosas seitas novas, e muitas delas floreceram. Isso pode refletir uma “individualização da crença religiosa, que talvez deva ser examinada juntamente com a secularização, como característica destacada da situação religiosa nas sociedades industriais (BOTTOMORE, 1981, p. 227-228).
1.1 Origens e Identidade
Desde os finais dos anos 60 verifica-se uma profunda mudança cultural. Tais transformações se fazem sentir fortemente nos anos 70 com o fenômeno do pós-moderno. A necessidade de dar uma resposta ao exagerado cientificismo, ao brilhantismo inquestionável da razão humana e ao progresso se transformou em negação a estas maneiras de colocar a visão de mundo.
A segunda metade do século XX assistiu a um processo sem precedentes de mudanças na história do pensamento e da técnica. Ao lado da aceleração avassaladora nas tecnologias de comunicação, de artes, de materiais e de genética, ocorreram mudanças paradigmáticas no modo de se pensar a sociedade e suas instituições. De modo geral, as críticas apontam para as raízes da maioria dos conceitos sobre o Homem e seus aspectos, constituídas no século XV e consolidadas no século XVIII. A Modernidade surgida nesse período é criticada em seus pilares fundamentais, como a crença na Verdade, alcançável pela Razão, e na linearidade histórica rumo ao progresso. Para substituir estes dogmas, são propostos novos valores, menos fechados e categorizantes. Estes serviriam de base para o período que se tenta anunciar - no pensamento, na ciência e na tecnologia - de superação da Modernidade. Registra-se a exacerbação de certas características das sociedades modernas, tais como o individualismo, o consumismo, a ética hedonista, a fragmentação do tempo e do espaço. Seria, então, o primeiro período histórico a já nascer batizado: a pós-modernidade.
1.2. Autores e Idéias principais
Entre os autores principais a fazer uso do termo, destaca-se o francês Jean-François Lyotard, onde, segundo ele, a "condição pós-moderna" caracteriza-se pelo fim das metanarrativas. Os grandes esquemas explicativos teriam caído em descrédito e não haveria mais "garantias", posto que mesmo a "ciência" já não poderia ser considerada como a fonte da verdade. Segundo LYOTARD (1998,135)
As árvores de conhecimento são fundadas sobre princípios de auto-organização, de democracia e de livre troca na relação com o saber. Ao abandonar uma concepção feudal dos conhecimentos organizados em disciplinas, dominados pelos grandes conceitos, desenvolvem um espaço do saber produzido por todos, coextensivo à vida das coletividades humanas, sem muros nem fossos incontornáveis. A diversidade das competências e dos recursos cognitivos de qualquer comunidade pode, então, tornar-se visível. Um espaço de comunicação e de negociação entre todos ou atores implicados pelas relações com o saber é instituído. O mesmo instrumento pode ser manejado pelos indivíduos que oferecem competências, pelos empregadores que os procuram e pelos formadores que os transformam.
Para o crítico marxista norte-americano Fredric Jameson, a Pós-Modernidade é a "lógica cultural do capitalismo tardio". O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, um dos principais popularizadores do termo Pós-Modernidade no sentido de forma póstuma da modernidade, atualmente prefere usar a expressão "modernidade líquida" - uma realidade ambígua, multiforme, na qual, como na clássica expressão marxiana, tudo o que é sólido se desmancha no ar. Segundo Bauman, a marca da pós-modernidade é a vontade de liberdade (BAUMAN, 1997, p. 53). Já o filósofo alemão Jürgen Habermas relaciona o conceito de Pós-Modernidade a tendências políticas e culturais neoconservadoras, determinadas a combater os ideais iluministas. Gianni Vattimo (apud DANTAS, 2009, 184) acena à “dissolução da história” nos seus vários sentidos que se podem atribuir a essa expressão. É, de resto, a característica que distingue de modo mais claro, a história contemporânea da história “moderna”. Daqui, se conclui que não há coordenada originária, ou seja, inexiste um fio condutor capaz de dar inteligibilidade à história, nenhuma ligação intrínseca entre os acontecimentos, pois não há uma história única, mas inúmeras particulares. Fala-se, por conseguinte da pós-história ou dissolução da história (DANTAS, 2009, p. 184). A pós-modernidade emerge, enquanto negação humana do conhecimento do mundo, de si próprio, na relativização ou negação dos valores últimos que venham a dar sentido à inteligibilidade, à vida humana e à sociedade. A crise dos discursos unificadores, a fragmentação dos saberes, o fim das metanarrativas, a crise das utopias, o esvaziamento do conceito de verdade, em suma, chegou-se à descrença que para cada pergunta ou questionamento exista uma só resposta, provida de racionalidade ou cientificidade. Cada um formula a resposta que mais lhe agrada, e não existe nenhum critério para afirmar que uma resposta seja mais ou menos verdadeira que outra. Gilles Lipovetsky afirma que a “demanda de liberdade é superior àquela de igualdade” (LIPOVETSKY apud LIMA, 2009, 183).
Para Gianni Vattimo ( apud LIMA, 2009),
a chamada "pós-modernidade" aparece como uma espécie de Renascimento dos ideais banidos e cassados por nossa modernidade racionalizadora. Esta modernidade teria terminado a partir do momento em que não podemos mais falar da história como algo de unitário e quando morre o mito do Progresso. É a emergência desses ideais que seria responsável por toda uma onda de comportamentos e de atitudes irracionais e desencantados em relação à política e pelo crescimento do ceticismo face aos valores fundamentais da modernidade. Estaríamos dando Adeus à modernidade, à Razão (Feyerabend) Quem acredita ainda que "todo real é racional" (Hegel)? Que esperança podemos depositar no projeto da Razão emancipada, quando sabemos que se financeiro submetido ao jogo cego do mercado? Como pode o homem ser feliz no interior da lógica do sistema, onde só tem valor o que funciona segundo previsões, onde seus desejos, suas paixões, necessidades e aspirações passam a ser racionalmente administrados e manipulados pela lógica da eficácia econômica que o reduz ao papel de simples consumidor?
Conforme ZOCATELLI (1996, p. 23) vem à tona a teoria da “interpretação infinita”, originalmente amadurecida exatamente no campo da crítica literária, segundo a qual todo objeto de reflexão pode assumir significados “infinitamente” diversos; aplicada à vida social, a interpretação pós-moderna, mediante a qual cada um formula a própria resposta na impossibilidade de determinar significados autênticos e universais, produziu um “clima” que segundo INTROVIGNE (1995, apud ZOCATELLI, 1996, p. 23-24), tem os seguintes traços característicos:
Antes de tudo – em senso sociológico – se pode constatar simplesmente uma série de fatos: derrubados os mitos da modernidade para um percentual significativo dos nossos contemporâneos hoje a ciência não é mais segura que a magia, a medicina não é mais que a fé nas curas milagrosas, e assim por diante. A difusão, socialmente relevante, desta persuasão pode ser medida através de instrumentos sociológicos apropriados. Diferente é a teoria de filósofos do pós-moderno segundo o qual é justo que seja assim, e o real é simplesmente um facho de infinitas possíveis interpretações. Este tipo de teoria – por quanto se anuncie como o “novo” absoluto – representa simplesmente uma ulterior, talvez mais extrema, graduação do relativismo que constituía já a essência da modernidade.
A exacerbação do individualismo provoca um indiferentismo aos interesses comuns. O subjetivismo exacerbado se efetua em detrimento da objetividade e aciona uma provocação do desprestígio da política, do sentido da representatividade. Os valores e as idéias perdem a razão de ser, pois são sem sentido e assim pouco a pouco se cria uma situação de degradação existencial com um empobrecimento da capacidade de maravilhar-se, de ordenar a própria vida em função de um ideal e de amar ou usufruir da vida intensamente. O trabalho, por sua vez, perde sua dimensão de vocação, ação criativa e se reduz a um meio para suprir as necessidades do indivíduo, meio de fazer carreira. O amor e o matrimônio passam a ser vistos como fontes de gratificação psicológica e se rebaixam a meras e banais enfermidades. Renasce o sagrado como dimensão religiosa alternativa, emergente com o renascimento da astrologia.
Com o crescimento do individualismo e do subjetivismo entra em cena a ideologia neoliberal e até mesmo o neoconservadorismo na condição pós-moderna. Ora, uma parcela significativa de jovens brasileiros, especialmente aqueles pertencentes às classes alta e média vivem este momento cultural (ANDRADE, 1993– MION, 1993). Vem à baila um amontoado acrítico de orientações culturais modernas como o hedonismo, o amoralismo, o espiritualismo, o gnosticismo, o materialismo como busca da felicidade. Sobretudo no meio juvenil se verifica uma entrega da razão cansada aos deuses da modernidade. Como nos afirma Feller (1995, p. 351):
[Há uma verdadeira] renúncia da construção disciplinada e sacrificada da história pessoal e coletiva em vista da facilidade a todo custo, entregando o ser humano aos prazeres propostos da modernidade. [...] a razão hedonista se manifesta na incapacidade que leva as pessoas a se satisfazerem com o mínimo.
Tais jovens, como afirma Mion (1993, p. 249),
[serão aqueles que deverão enfrentar os] problemas culturais de não pouco relevo como a relativização dos sistemas de significado, mas também a absolutização dos relativos, uma orientação privativa e sobretudo emocional dos valores, o enfraquecimento da mesma rede das solidariedades vizinhas, a presença e a teorização de um identidade pessoal e social fraca, fragmentada, compósita, em contínua evolução, freqüentemente ambivalente e contraditória, que torna difícil a construção de uma experiência unitária ligada a um senso mais geral.
A recuperação da subjetividade, da individualidade (não do individualismo) oferece às pessoas um espaço para construir a própria identidade de modo sadio e maduro. O retorno à mística, com o aparecimento do “sagrado espontâneo e variado” pode provocar a solicitação e a efetivação da construção de uma espiritualidade mais rica. É de grande significado a abertura à gratuidade, às exigências da vida. Além disso, se oferece um grande espaço ao diálogo inter-religioso e cultural na abertura ao valor da pluralidade (ANDRADE, 1993). Bem afirmou ROANET (1987 apud LIMA, 2009): “Se a modernidade prometia a felicidade através do progresso da ciência ou de uma revolução, a pós-modernidade promete um nada que pretende ser o solo para tudo”.
1.3. Pontos positivos do cenário hodierno: possibilidades de ação
Mesmo que o cenário se apresente sombrio e imbuído de não poucos desafios referentes à indefinição e ao vazio, alguns elementos podem ser abertura e possibilidade para uma ação conjunta pelo bem de todos. Pode-se constatar a ênfase dada à cooperação e não sobre a competição, toda uma consciência ecológica pode abrir perspectivas inusitadas para a construção de uma sociedade que preserva e se opõe à ação exploradora dos recursos da terra; o encorajamento da espontaneidade e da criatividade; a promoção da paz entre os povos; os cuidados do corpo e do seu ritmo biológico através da promoção do esporte, de exercícios físicos e de alimentação saudável; o desenvolvimento do potencial humano e da auto-imagem positiva; o conceito da aldeia global e, por conseguinte da interdependência entre as pessoas e os povos; a mundialização de valores e ideais; a articulação em redes; a promoção e defesa da vida; a emergência de uma consciência planetária; o papel da mulher; uma visão do cristianismo como religião aglutinadora do pluralismo religioso; o diálogo inter-religioso na busca de um projeto de ética mundial; o apelo ao místico e ao sagrado; a busca de uma nova experiência de Deus (FELLER, 1995). Por mais que o relativismo ou uma ampla relativização ou mesmo subjetivização tenham criado o rompimento com paradigmas básicos para um pensar o mundo, a vida, a sociedade, a política, etc., hoje as opções religiosas das pessoas, ao menos as que fazem uma busca séria, não mais terá a tradição religiosa familiar como referência única ou obrigatória. Entrará em cena uma experiência pessoal, uma escolha livre, tendelcial e potencialmente mais responsável. Em primeira pessoa, o indivíduo faz suas escolhas de modo bastante livre. Certamente, as vantagens serão potenciadas e haverão de ser fonte de possibilidades alvissareiras se tais escolhas são ponderadas, resultado de uma formação consistente, as motivações sejam autênticas e os líderes religiosos ou educadores religiosos são respeitosos e disponíveis para ajudar no discernimento.
Em um próxima postagem, as referências bibliográficas serão disponibilizadas na íntegra.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
O Pai que é nosso e o pão também!

Jesus nos ensinou a falar com Deus. Seus discípulos não sabiam. Bem, pra falar com alguém, conversar, partilhar a vida, creio ser super-importante haver um mútuo conhecimento. Sem isso, bem, não se tem o que conversar.
Talvez, para os discípulos, Deus era ainda distante. E aí, curiosos e fascinados a respeito de Jesus que rezava, detinha-se em oração longamente com o Pai, veio a revelação, veio a felicidade de ver um rosto que lhes era ignorado: Ele (Deus) é Pai. Então, longe de ser um patrão, um chefe, um mero provedor de bens ou aquele que resolve problemas ou satisfaz necessidades, Ele é o Pai.
Do Pai recebe-se a vida, o amor em forma de cuidado. Por cuidado, não se entenda, fazer tudo o que o filho quer, mas cabe ao Pai buscar-lhe o verdadeiro bem. Nem sempre isso é fácil, pois o caminho de felicidade, nem sempre é caminho de facilidade. Daí que é preciso confiança. O Pai cuida e sabe. Se este Pai é Deus, bem, então deixa Ele me conduzir. Mas, deixar Deus conduzir e cuidar, nem de longe deve ser entendido como um percurso de parasitismo, ficar esperando tudo cair de graça o céu. Santo Inácio e Loyola dizia: "Faça tudo como se tudo dependesse de você e uma vez esgotados os seus recursos, entregue tudo a Deus como se tudo dele dependesse". Nós faremos o possível e Ele, o impossível. Claro, se preciso for! E Ele sabe quando é preciso.
O Pai é nosso e o pão também. Aqui, não podemos perder de vista uma coisa: não somos o centro do mundo, nem o mundo gira em torno a nós. Nós caminhamos com outras pessoas, somos chamados a construir uma caminhada juntos pois somos seres sociais, a tendência agregativa faz parte o ser gente, do ser pessoa humana. Só que Deus nos fez seres comunitários. Sim, isso mesmo. Por isso que Jesus insiste tanto que seus discípulos, filhos de Deus por graça do Batismo, são chamados a viver como irmãos. Há um Pai que é comum a todos. Daí que não dá pra viver de qualquer jeito ou sem jeito ou de jeito nenhum meus relacionamentos com as outras pessoas. São irmãos! Que significa isso? Qual a importância disso? Bem, veremos numa próxima postagem.
Abraço e bênção pra você, Filoteu!
domingo, 4 de abril de 2010
RESSUSCITOU COMO DISSE, ALELÚIA!

Lectio de 04/abril/2010
(Páscoa do Senhor: At 10, 34a.37-43; Cl 3, 1-4; Jo 20, 1-9)
Bem cedo, vai Madalena procurar Jesus (Jo 20, 1-3). Eis a atitude do verdadeiro discípulo; a propósito, convém lembrar que as pessoas se definem muito pelas atitudes que assumem, pelas opções que fazem. Perguntar-se seriamente sobre as prioridades assumidas, constitui um ponto de referência importante para que o projeto de Deus aconteça, dentro da esfera de fazer-nos ressuscitados. A pedra tinha sido tirada do túmulo que estava vazio, expressa um bendito vazio. Como é que as pessoas, eu, você, eles, nós, vós, todos, compreendemos ou interpretamos ou acolhemos o túmulo vazio? Qual a repercussão deste vazio em nossas vidas? Em que e como este fato tem mudado ou ela pode mudar? Só o discípulo, aos moldes de Madalena pode compreender mais, viver mais por buscar insistentemente. O Senhor se deixa encontrar por aqueles que o buscam e se deixam encontrar. Deixam-se encontrar aqueles que se deixam encantar! Aliás, Nosso Senhor já se antecipou, vindo em busca dos que Ele ama. A iniciativa é sempre dele.
João corre mais que Pedro, mas não entrou no túmulo. Esperou por quem detém as chaves, o primaz, feito chefe e pedra por livre escolha do Mestre. Interessante: por mais que haja pessoas que descubram o querer de Deus, as indicações do Espírito com mais antecedência e perspicácia que os pastores legitimamente constituídos pelo Senhor, a indicação é esperar por estes pastores, por sua orientação, pela captação destes mesmos sinais. Não caminhar na frente dos pastores, mas com eles, ajudá-los sem dúvida, contribuir no discernimento e na acolhida dos sinais de Deus, mas, caminhar com eles. O cenário do túmulo é marcado pelo vazio: Ele não está lá. O grande Ator não está no palco, pois seu palco agora é outro. Ele é ator que age, não é ator que representa. Ele é fiel e verdadeiro. Ele não está no túmulo; no entanto, deixou sinais de que a sua ressurreição aconteceu. A delicadeza do pano enrolado num lugar à parte é um gesto eloqüente pois se o corpo tivesse sido roubado, certamente tudo estaria em desordem, uma bagunça geral. Mas, não! O lençol está dobrado e as faixas de linho deitadas no chão. Gesto simples, simbólico, mas altamente significativo! (Jo 20, 3-7).
A páscoa do Senhor, sua passagem para da morte para a ressurreição é sugestiva e indicativa: deve gerar no cristão, opções que o levem à vida ressuscitada. Para tanto, é preciso esforço. Diz o apóstolo, em tom imperativo: “esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres” (Cl 3, 1-2). As coisas do alto são propriamente marcadas por uma vida nova, na santidade, na união íntima e perseverante com Jesus Nosso Senhor, na meditação assídua de sua Palavra, na oração incessante, na vivência corajosa e profética das bem-aventuranças. Aspirar as coisas celestes significa viver o natural, de modo sobrenatural. Ter presente que a verdadeira realização consiste em assumir, assimilar a vida do céu, não a vida nos conformes da carne, das conveniências humanas, dos interesses egoístas. Portanto, é fundamental morrer e que a nossa vida esteja escondida com Cristo em Deus (cf. Cl 3, 3). Haverá vida mais feliz que essa? Meu Deus, que loucura é buscar outro caminho! Que burrice profunda e sem fim correr atrás de água onde só existe lama e barro molhado! Seja-nos propício Quem ressuscitou e vive glorioso com o Pai na unidade do Santo Espírito de modo a esconder-nos no seu lado aberto para que Dele nunca nos separemos, para que nele vivamos e com Ele morramos, a fim de com Ele ressuscitarmos. Nada de melhor haveremos de querer, aspirar ou viver!
Sim, “Todo aquele que crê em Jesus recebe, em seu nome, o perdão dos pecados” (At 10, 43). Crer: eis a meta. Crer, isto é, cultivar a fé, viver de fé, aderir total e incondicionalmente a quem se revela e nos faz participantes da sua vida. Crer para receber o perdão dos pecados. Haverá dom mais precioso, junto ao ser amado quanto ao ser perdoado? Deste perdão somos dependentes, deste perdão somos devedores, neste perdão viveremos e sem ele pereceremos miseravelmente em nossas iniqüidades e transgressões! Um perdão que nos habilite e anime a um movimento de subida, de superação, de crescimento e amadurecimento constantes tendo a vontade de Deus por meta e ponto de chegada.
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sábado, 3 de abril de 2010
Foi lá na cruz!

Lectio de 02/abril/2010 (Sexta-feira da paixão do Senhor: Jo 18, 1-19, 1-42)
A quem procurais? Eles responderam: Jesus o Nazareno” (18, 5);
Qual a razão de se procurar Jesus de Nazaré? Aqueles homens o procuravam para eliminá-lo, pois Jesus, assumir-se como Messias, parecia para aquelas pessoas algo de inaceitável. Mas, felizmente, no curso destes dois mil anos, há pessoas que procuram Jesus, pois acreditam no seu amor, na sua verdade, na sua missão e assumem, pela graça, a identidade de cristãos, isto é, discípulos amados do Senhor.
“Não vou beber o cálice que o Pai me deu?” (18, 11);
Beber o cálice! O cálice da ira de Deus, o cálice da sua justa indignação com o pecado humano, o mesmo que a humanidade deveria beber e assim, satisfazer a justiça divina. Mas, Ele o fez e quem aderir ao seu projeto, receberá o dom do Seu Espírito e a vida divina brilhará e resplandecerá em quem o aderir. Cumprem-se, assim, as palavras da Escritura: “É preferível que um só morra pelo povo” (18, 14);
“O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui. (...). Jesus respondeu (a Pilatos): Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz” (18, 36.37b);
Venha a nós o vosso Reino, ensinou-nos Jesus a pedir! Este Reino é o que se encarna na história, mas não estaciona nas categorias de tempo e de espaço, mas as transcende, as ultrapassa. Jesus é Rei, é soberano, é o supremo, mas de forma alguma identificará a sua messianidade com as realidades presentes! Quantos equívocos de tantos do passado e do presente que acham que ao resolver os problemas sociais e políticos, promover humanamente as pessoas, o ideal do Reino foi atingido! O Reino não acontecerá se tais metas forem atingidas, mas o coração humano não aderir intimamente a Jesus, ao seu projeto salvífico, na realização plena de seus desígnios de amor e de poder. Nosso Senhor é a verdade e por isso quem o escuta, aderindo-O, plenifica-se, atinge a grande meta! Escutar sua voz, sim, para acolher sua Palavra santa e poderosa. Escutar que está intrinsecamente ligada ao aderir incondicionalmente, existencialmente ao Mestre, seguindo-O, isto é, imitando-O.
(disse Pilatos): “Olhai, eu o trago aqui fora, diante de vós, para que saibais que não encontro nele crime algum” (19, 4) .
Eis uma declaração da inocência de Nosso Senhor. Pilatos é iníquo, profundamente covarde, vende sua consciência em função de seus medos gerados pelo seu cargo, sua função. É permissivo ante a pressão da corja insana que o inquieta e pressiona. E eu, você, abrimos mão da verdade, da nossa adesão a Cristo em função de interesses pessoais, de seguranças humanas, de hesitações e medos oriundos do respeito humano?
“Não tinhas autoridade alguma sobre mim, se ela não te fosse dada do alto. Quem me entregou a ti, portanto, tem culpa maior” (19, 11);
Toda autoridade é dada do alto. Se não fosse dada do alto, tal autoridade não teria sido dada a Pilatos. Uma visão de fé, sem dúvida, geradora da submissão de Jesus. Ele sabe que por detrás das determinações da autoridade, os desígnios do Pai se cumprirão; mas uma constatação é preciso fazer, a saber, que todos quantos são revestidos de autoridade, são necessariamente chamados a responder por seus atos de modo muito particular. As autoridades: promoveram as pessoas plenamente, buscaram o bem delas ou as impediram ou criaram obstáculos para que elas fossem autenticamente felizes, se encontrassem com Deus e sua verdade libertadora, em suma, fossem salvas do pecado e libertadas do demônio?
“Eis o vosso rei!” (19, 15); (Disse Jesus para Maria): “Mulher eis o teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Esta é tua mãe”. Dessa hora em diante o discípulo a acolheu consigo (19, 26b-27);
Uma das páginas mais preciosas! Maria é-nos dada na dor suprema da cruz! Ela, com sua sublime maternidade, faz-nos irmãos de Jesus! Ser filho de Maria é um jeito muito concreto de ser filho de Deus, pois Ela nos inserirá com grande fecundidade na vontade do Pai, cujo cumprimento ela tornou-se perita, especialista. Maria, a discípula, a Mãe, a intercessora, a auxiliadora, o modelo. Acolhê-la em casa tem um simbolismo forte, eloqüente, pois significa assumi-la na vida, na própria história, fazendo-se servo do Senhor, escravos da Palavra, empenhados decisivamente em fazer tudo o que Jesus nos disser. Nunca seremos gratos o suficiente a Jesus por ter-nos dada a sua Mãe para ser também nossa Mãe.
“Tenho sede” (19, 28);
“Deus tem sede que tenhamos sede dele” (Agostinho). Sede do amor das criaturas, dirá Teresinha do Menino Jesus. Mais que sede de água que certamente foi grande também.
“Tudo está consumado”. E inclinando a cabeça, entregou o espírito” (19, 30);
Toda a obra do Pai estava cumprida. O servo obediente foi até o fim. Jesus pendente da cruz, símbolo máximo e eficaz da obediência incondicional a Deus. Que vemos? Só amor, amor imenso, infinito, radical, um amor louco, indescritível. É olhar e apaixonar-se, é amar e seguir o Mestre carregando também a nossa cruz, sendo crucificados com Ele, sepultados com Ele para com Ele ressurgir.
(...), mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água” (19, 34);
Aqui nascemos, aqui vivemos, aqui amamos, aqui somos discípulos, daqui somos enviados e tornamo-nos missionários em seu nome e seu amor!
“Não quebrarão nenhum dos seus ossos. E outra Escritura ainda diz: “Olharão para aquele que transpassaram” (19, 36-37);
Ele é o Cordeiro pascal e, por isso, nenhum osso lhe será quebrado. Sim, olharemos o traspassado. Contemplaremos e enxergaremos o seu amor incondicional, total. O onipotente fragilizou-se imensamente, o santíssimo assumiu as culpas dos pecadores, o perfeito e infinitamente são, deixou-se ferir e assumiu nossas dores. Nós O contemplamos! Com os olhos da fé, do amor, com os olhos interiores e deixamo-nos interpelar.
No lugar onde Jesus foi crucificado, havia um jardim e, no jardim um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado” (19, 41).
Um jardim. Lá no Éden, havia também um jardim: lá se consumou o pecado. Lá no túmulo, um jardim: lá se consumou a obediência. Começou um novo paraíso, inaugurado com o sepulcro que acolheu Quem matou a morte, quem está cheio de vida. O jardim é o lugar do sepulcro foi palco da ressurreição, encheu-se de luz e vazio ficou! A esperança salva!
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segunda-feira, 29 de março de 2010
A unção dos pés do mensageiro!

Jesus foi a Betânia: casa da amizade! Lugar do encontro, da partilha e do diálogo. Lá deu-se o prodígio do encontro, do culto, da adoração. Aquele perfume caro, aquelas essências delicadas e os odores cativantes foram usados para ungir os pés de Jesus.
Os pés! lá em baixo, os pés tocam o chão, conduzem o corpo, sob o direcionamento da cabeça, claro. Os evangelizadores são como os missionários que levam Jesus e a vida da Igrea para todo lugar. Ungi-los com orações e sacrifícios, formação e apoio de todo tipo, é um jeito de repetir a cena da mulher generosa. Sim, o Evangelho é o bom perfume, o suave odor de Cristo. Impressionante! São belos, porque conduzem, aproximam, geram comunhão.
O que há de tão caro em minha vida que possa ser usado para ungir os pés de Jesus? Havendo a compreensão de Maria, irmã de Lázaro e Marta, sobre o valor do que foi ofertado e derramado, certamente toda a Igreja e o mundo se encheria do bom odor. E que agradável perfumes será este? Com certeza as vidas ofertadas, consumidas, pela sublime causa de evangelização. "Quão belos são os pés do mensageiro que anunciam a paz".
Judas reclama do gesto: considera-o um desperdício. Um gasto inútil, algo que poderia ser investido em outra causa, quiçá, mais nobre, segundo o traidor. Uma mentalidade reprovada por Jesus. Ungi-lo para a sepultura é um gesto acolhido pelo Mestre. Era Ladrão! Roubava ou tirava para si o que era da comunidade e o que era de Deus. Para o Iscariotes, era gasto desperdício gastar 300 denários com a unção em Betânia. Mas, vende Jesus por 30 moedas, preço de um escravo. Para ele, Jesus não valia muita coisa, não tinha valor.
E Lázaro: um sinal da ressurreição que Jesus iria viver de forma definitiva e cabal. Mas, para os fariseus, era um sinal incômodo, uma evidência inequívoca, clara, explícita do poder de Deus agindo em Cristo Jesus. Mas, o que pensaram eles? Matar Lázaro! Acabar com o sinal de Deus. Que impressionante! Quando alguém não quer acreditar, não deseja crer, não tem milagre que dê jeito. Quando outros interesses humanos (financeiros, os jogos de poder, os prestígios e vaidades, etc) estão em jogo e falam alto. É preciso abrir o coração, deixar de lado seguranças e garantias meramente humanas. Caso contrário, bem, nada feito!
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quinta-feira, 25 de março de 2010
Querido Verbo Carne!

Lectio de 25/mar/2010
"No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito. (....). O Verbo era a luz verdadeira que ilumina todo homem; ele vinha ao mundo. (...) Veio para o que ela seu e os seus não o receberam. Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus: aos que crêem em seu nome (...). E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e nós vimos a sua glória, glória que ele tem junto do Pai como Filho único, cheio de graça e de verdade (...). Pois de sua plenitude todos nós recebemos graça por graça. Porque a Lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. Ninguém jamais viu a Deus: o Filho único que está voltado para o seio do Pai, este do deu a conhecer" (Jo 1, 1-3.9.11-12.14.17-18).
Eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho, e tu o chamarás com o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo. (...). O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com a tua sombra; por isso, o Santo que nascer será chamado Filho de Deus. Disse, então, Maria: “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra! (Lc 1, 31.35.38).
Verbo, felicidade plena do Eterno Pai, Verbo, toda alegria de Maria, a Virgem-Mãe, Verbo eterno doçura dos anjos, Verbo precioso e tão necessário, tão imprescindível para João, Pedro, Madalena, e para mim, por que não? – és o Verbo caro. Assim te chamarei, Querido Verbo-carne! E se assim não te chamar, direi que és o Precioso. O tesouro escondido no campo do coração, a vida plena que afugenta a pior das mortes (a eterna), a luz que dissipa as piores trevas (a do pecado), a santidade que destrói todo vício, a verdade que eclipsa toda mentira (do demônio). Que bom que assim seja: és o Verbo, isto é a Palavra.O outro vocábulo para traduzir a Palavra foi Verbo, isto é, ação, movimento! O Verbo faz a acontecer. Ele que estava com o Pai desde o princípio, sendo Ele Deus com o Pai, tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito, ou seja, a inteligência do Pai, sua comunicação fez todas as coisas, realizou a obra da criação.
Mas, para realizar a ação mais sublime, a recriação, a mais notável obra de amor e de resgate, a salvação da humanidade, quis o Pai enviar a sua Palavra, gerada desde toda eternidade, Seu Filho, Deus de Deus, Luz da Luz, gerado não criado, consubstancial ao Pai. O Verbo se fez carne! Se fez gente, fez-se perceber, ouvir, tocar, ver! Exclamará João, em seu êxtase ante o Mestre amado, do qual Ele é o discípulo amado: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos, e o que nossas mãos apalparam do Verbo da vida – porque a vida manifestou-se: nós a vimos e lhe damos testemunho e vos anunciamos a Vida eterna, que estava voltada para o Pai e que nos apareceu – o que vimos e ouvimos vo-lo anunciamos para que estejais também em comunhão conosco” (1Jo 1, 1-3). Tornar-se carne significa assumir a humanidade em sua condição de fraqueza e de mortalidade. Eis o realismo deste doce abaixar-se do Verbo-caro. Habitou entre nós é um termo que recorda Deus na tenda da reunião, cuja presença temível e invisível (cf. Ex 25,8; cf. Nm 35,34). Carne, portanto, trás à baila, o mistério da fragilidade humana de quem manteve sua natureza divina e fez caminhada conosco. Dirá São Leão Magno: “A humildade foi assumida pela Majestade, a fraqueza, pela força, a mortalidade, pela eternidade. Para saldar a dívida da nossa condição humana, a natureza impassível uniu-se à natureza passível. Deste modo, como convinha à nossa recuperação, o único mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, podia submeter-se à morte, através de sua natureza humana e permanecer imune em sua natureza divina. (...). Assumiu a condição de escravo, sem mancha de pecado, engrandecendo o humano, sem diminuir o divino” (Ep. 28, ad Flavianum, 3-4: PL 54, 763-767, Liturgia das Horas, vol. II, p. 1506).
Mas, pela fé, pelo encontro com a Sagrada Escritura, com a Eucaristia, adorada, recebida, celebrada, certamente o encontramos. E nos realizamos plenamente neste itinerário de luzes e sombras que o Amado nos permite de viver, fazendo-nos percorrer não um caminho de garantias e seguranças humanas, mas um percurso de fé, de trilhas evangélicas na mata do não saber, da pobreza existencial profunda. Nós também o tocamos, nós o vimos, ou escutamos. Somos felizes!
Na pobreza, pequenez, humildade, obediência e na força da verdade profunda, do poder e da graça, as duas naturezas presentes na mesma pessoa (de Cristo), vê-se a tenda da reunião de modo bastante diferente: Ele é a tenda da reunião, em sua sacratíssima humanidade.
Além disso, é bom lembrar que Maria teve um papel muito importante. Sua ligação com a Palavra abre espaço para que o mistério de um Deus desejoso de dar-se, revelar-se, comunicar-se, exatamente porque ela é o lugar onde esta substancia humana é tecida pelo Espírito Santo. O papel dela, tão importante e, Ela, tão humilde! A serva do Senhor, disponível para a Palavra. Serviço da Palavra. Contemplaremos o mistério nela. E creio que as pessoas querem ver este mistério da encarnação em mim, em você, em nós todos. Corações grávidos de Cristo, por uma união cada vez mais profunda, amadurecida, verdadeira com Ele.
Que tal, tentar? A graça de Deus acontecerá e o auxílio da Virgem não faltará.
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encarnação - Verbo eterno
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